Alguém acha que tudo se resolve criando uma disciplina a mais para aquilo que lhes dá na telha. Na escola ou na universidade.
Tinha gente que achava que uma disciplina sobre drogas ia diminuir o consumo de drogas entre os universitários. Devem ter cheirado leite em pó! Que viagem!
Agora, as licenciaturas vão ter que integrar na sua grade de disciplinas a matéria de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), de modo a preparar melhor os futuros professores para acolher condignamente os portadores de necessidades especiais.
É justo. É politicamente correto.
Mas como sempre, tudo o que vem de cima para baixo para ser executado por quem não foi consultado sobre a medida, é incompleto, e tem pouca chance de cumprir o objetivo declarado. Afinal nessas coisas sempre tem um objetivo declarado e um objetivo subjacente. Nesse caso, acho que o subjacente é a necessidade de dar resposta aos grupos de pressão em defesa dos portadores de necessidades especiais, por parte do poder público. A resposta tá dada, e uns outros pensam que projeto é solução.
Essa idéia já é antiga, mas vale a pena retomar: o professor tem cada vez mais tarefas e obrigações, e cada vez menos condições de trabalho. Atender aos portadores de necessidades especiais é mais uma dessas situações. Estudar libras é um arremedo de solução, válida mas insuficiente, e que pode ser completamente perdida porque ninguém se lembrou de convencer os professores de que essa saída é a mais adequada para a educação dos p.n.e. Parece-me que esse debate ficou na Pedagogia e não recebeu ação ou atenção nas demais licenciaturas.
O professor nesse quadro é executor.
Se houvesse efetiva preocupação com ele na resolução dos problemas de sala de aula, o currículo das licenciaturas deveria incluir mais duas cadeiras:
- Teoria e prática do enfrentamento da agressão verbal.
- Defesa pessoal I (agressões desarmadas), II (agressões com arma branca) e III (agressões com arma de fogo).
Ser professor vai deixando de ser uma habilidade intelectual e tornando-se uma habilidade física:
Outros mundos possíveis. Blog de opinião e divulgação científica, desde meu microcosmo, a UEPG, às questões de interesse geral, de um ponto de vista interessado no ensino de História, Educação em geral, consciência histórica, cultura política e transformação social.
PRODUÇÃO CIENTÍFICA
domingo, 11 de janeiro de 2009
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Reprovação, punição e recompensa
Vivemos um tempo que que se superou, na escola, o recurso à reprovação. Ótimo. Vivemos um tempo em que a indisciplina na escola tem poucos precedentes no passado, o que inclui a banalização da violência contra o professor. No meu ponto de vista, as duas coisas estão ligadas.
Com a retirada do poder de punição que o professor dispunha através da reprovação, parte importante da sua autoridade também foi retirada. Isso não democratizou a escola, porque democracia não é ausência de ordem (embora não seja qualquer ordem que vá significar democracia). A apatia é generalizada, em parte porque tanto faz se o aluno estuda ou não, se o professor ensina bem ou não. O resultado é essencialmente o mesmo.
Escreveu-se em nome da democracia, um novo capítulo da filhocracia, que precisa ser repensado. Retirando-se a punição, retira-se a recompensa. Estimula-se a contravenção, já que os valores não são claros ou conseqüentes, e isso transborda para a sociedade.
A recompensa deve ser dar menos tempo de aula para quem vai bem, encerrando o período letivo mais cedo para estes, mantendo-o para os demais, com tratamento especializado, por mais tempo. E reprovando, sim, quem não mostra disposição de aprender, pois esses desafiam - não só com a atitude, mas com seu exemplo - o sistema que sustenta a idéia de que é preciso esforçar-se e aprender. Estou falando do "vagabundo", não de quem tem dificuldades de aprendizagem, e o professor minimamente experiente logo distingüe um do outro. COm essa medida, o aluno esforçado é premiado, o aluno relapso é punido, a reprovação é último recurso e quem tem dificuldades de aprender.
Se os pais dos alunos não podem ter os filhos em casa antes do tempo, se cabe ao Estado mantê-los na escola, nada mais certo que ampliar o corpo docente contratando professores que possam orientar leitura, promover lazer e atividade físicas, criar oportunidades de criação e fruição de manifestações culturais em geral.
É isso mesmo, educação de qualidade não se resolve com boa vontade: custa caro mesmo!
Com a retirada do poder de punição que o professor dispunha através da reprovação, parte importante da sua autoridade também foi retirada. Isso não democratizou a escola, porque democracia não é ausência de ordem (embora não seja qualquer ordem que vá significar democracia). A apatia é generalizada, em parte porque tanto faz se o aluno estuda ou não, se o professor ensina bem ou não. O resultado é essencialmente o mesmo.
Escreveu-se em nome da democracia, um novo capítulo da filhocracia, que precisa ser repensado. Retirando-se a punição, retira-se a recompensa. Estimula-se a contravenção, já que os valores não são claros ou conseqüentes, e isso transborda para a sociedade.
A recompensa deve ser dar menos tempo de aula para quem vai bem, encerrando o período letivo mais cedo para estes, mantendo-o para os demais, com tratamento especializado, por mais tempo. E reprovando, sim, quem não mostra disposição de aprender, pois esses desafiam - não só com a atitude, mas com seu exemplo - o sistema que sustenta a idéia de que é preciso esforçar-se e aprender. Estou falando do "vagabundo", não de quem tem dificuldades de aprendizagem, e o professor minimamente experiente logo distingüe um do outro. COm essa medida, o aluno esforçado é premiado, o aluno relapso é punido, a reprovação é último recurso e quem tem dificuldades de aprender.
Se os pais dos alunos não podem ter os filhos em casa antes do tempo, se cabe ao Estado mantê-los na escola, nada mais certo que ampliar o corpo docente contratando professores que possam orientar leitura, promover lazer e atividade físicas, criar oportunidades de criação e fruição de manifestações culturais em geral.
É isso mesmo, educação de qualidade não se resolve com boa vontade: custa caro mesmo!
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domingo, 30 de novembro de 2008
EUNICE DURHAM: ATÉ UM RELÓGIO PARADO DÁ A HORA CERTA DUAS VEZES POR DIA!
Há problemas nos cursos de Pedagogia? Com certeza, a começar pela definição de sua identidade. Há problemas na relação entre os pedagogos e os demais licenciados na escola? Sim, certamente, e isso tem que ser trabalhado. Mas identificar isso à posição de esquerda dos cursos de Pedagogia é uma bobagem rematada. Parece que Durham se convence com os papéis que leu (as Diretrizes Nacionais) e não conhece o "chão da fábrica" da graduação e da pós-graduação em Educação, em que "democrático, participativo, dialógico e decidido em assembléia" não são características em excesso, mas adjetivos ainda a conquistar, em grande parte. É que ela pensou que a análise dos papéis da política pública são a própria política pública, que o currículo escrito corresponde ao currículo praticado.
Mas até um relógio parado dá a hora certa duas vezes ao dia. No final da página 20 ela declara, com toda a razão:
"Na prática, tantas são as alçadas e as exigências burocráticas que, parece inverossímil, um pesquisador com uma boa quantia de dinheiro na mão passa mais tempo envolvido com prestação de contas do que com sua investigação científica." Mas no minuto seguinte, ela volta à carga associando esses problemas à democratização excessiva e assembleísmo da universidade. Não é, professora Eunice. A burocracia não surge da democracia, mas da falta dela, quando os meios se tornam cada vez mais fortes em relação às atividades fins, onde está a maioria, que tem sede de democracia. Ou será que essa situação ocorre só na minha universidade?
Mas até um relógio parado dá a hora certa duas vezes ao dia. No final da página 20 ela declara, com toda a razão:
"Na prática, tantas são as alçadas e as exigências burocráticas que, parece inverossímil, um pesquisador com uma boa quantia de dinheiro na mão passa mais tempo envolvido com prestação de contas do que com sua investigação científica." Mas no minuto seguinte, ela volta à carga associando esses problemas à democratização excessiva e assembleísmo da universidade. Não é, professora Eunice. A burocracia não surge da democracia, mas da falta dela, quando os meios se tornam cada vez mais fortes em relação às atividades fins, onde está a maioria, que tem sede de democracia. Ou será que essa situação ocorre só na minha universidade?
A CULPA É DA PEDAGOGIA!
Na Veja (argh!!!) de 26 de novembro de 2008, Eunice Durham (ex-governo FHC) destila um discurso direitista disfaçado de resultado de pesquisa dizendo que os cursos de Pedagogia são o problema, e não a solução para a educação no país. Para ela, os cursos de Pedagogia supervalorizam a teoria e menosprezam a prática (p. 17). Circunscrevem a sua bibliografia a autores da "esquerda pedagógica". Diz um pouco adiante: "Em vez de aprender a dar aula, os aspirantes a professor são expostos a uma coleção de jargões (de esquerda). Tudo precisa ser democrático, participativo, dialógico e, naturalmente, decidido em assembléia" (p. 18)
Posso estar enganado, mas "democracia", "participação", "diálogo" e "assembléia" não são exatamente um patrimônio da esquerda, mas da república e da soberania popular...
A pesquisadora da USP diz que falta autocrítica aos professores, que não admitem o óbvio, de que parte do problema de ensino está na incompetência dos professores que formam. Pelo jeito, Durham não se lembra (é improvável que uma pesquisadora de seu nível não conheça) a bibliografia sobre a formação docente e os trabalhos do GT de Formação de professores da ANPED e dos diversos encontros do ENDIPE, além do trabalho da ANFOPE, entre outros.
Não surpreende. Quem conhece o papel da Eunice Durham no governo FHC já sabe que ela não hesitaria em participar da cruzada "neocon" das Organizações Globo (leia-se Ali Kamel) e da Veja (que foi diário oficial ilustrado do governo FHC).
Quem conhece o trabalho da professora também lembra o papel que o governo do qual ela participou teve na expansão indiscriminada de faculdades particulares de qualidade questionável, fonte de nove décimos dos pedagogos.
Como é que uma pesquisadora tão sagaz não lembra que o curso de pedagogia tem um papel que não unicamente o da formação de professores, mas sobretudo da formação da equipe pedagógica das escolas? Daí a jogar o esquerdismo como responsável pela baixa qualidade da pedagogia, por sua vez responsável pela baixa qualidade do ensino, é só um cômodo e fácil pulinho intelectual.
Posso estar enganado, mas "democracia", "participação", "diálogo" e "assembléia" não são exatamente um patrimônio da esquerda, mas da república e da soberania popular...
A pesquisadora da USP diz que falta autocrítica aos professores, que não admitem o óbvio, de que parte do problema de ensino está na incompetência dos professores que formam. Pelo jeito, Durham não se lembra (é improvável que uma pesquisadora de seu nível não conheça) a bibliografia sobre a formação docente e os trabalhos do GT de Formação de professores da ANPED e dos diversos encontros do ENDIPE, além do trabalho da ANFOPE, entre outros.
Não surpreende. Quem conhece o papel da Eunice Durham no governo FHC já sabe que ela não hesitaria em participar da cruzada "neocon" das Organizações Globo (leia-se Ali Kamel) e da Veja (que foi diário oficial ilustrado do governo FHC).
Quem conhece o trabalho da professora também lembra o papel que o governo do qual ela participou teve na expansão indiscriminada de faculdades particulares de qualidade questionável, fonte de nove décimos dos pedagogos.
Como é que uma pesquisadora tão sagaz não lembra que o curso de pedagogia tem um papel que não unicamente o da formação de professores, mas sobretudo da formação da equipe pedagógica das escolas? Daí a jogar o esquerdismo como responsável pela baixa qualidade da pedagogia, por sua vez responsável pela baixa qualidade do ensino, é só um cômodo e fácil pulinho intelectual.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
DUAS UEPGs
Creio que esse é um problemas de quase todas as universidades públicas no interior do país: o dualismo de sua identidade.
Há uma UEPG Universidade, e uma UEPG repartição pública. Na primeira, as pessoas acreditam que estão em uma instituição de ensino superior que oferece ensino, pesquisa e extensão, com a maior qualidade possível, e projetando sempre mais.
Há uma UEPG repartição pública que está mais preocupada em cumprir os regulamentos em detalhes do que em resolver problemas e solucionar gargalos de desenvolvimento. Para ela, o que interessa são os relatórios administrativos, o respeito à tradição, evitar mudanças a todo custo.
A UEPG repartição é voto cativo para quem está no poder. Cargos comissionados, funções gratificadas, local de exercício da função, são moedas de troca importantes. A chapa que não vence nessa esfera, não chega ou permanece no poder. Desagradá-la é muito perigoso para continuar no poder. Resultado: a UEPG repartição tem, no mais das vezes, mais peso decisório que a UEPG Universidade.
OS OBJETIVOS ACADÊMICOS SÃO SUBMISSOS AOS OBJETIVOS BUROCRÁTICOS. Quando não há escassez de recursos, tudo bem. Quando há, primeiro os meios, depois os fins.
EXEMPLOS? Regime seriado anual ou semestral por créditos? O primeiro, porque é mais simples de administrar e documentar. Embora a maioria dos coordenadores de graduação prefira o regime semestral.
Homologação de candidatura de alunos negros ao vestibular por cotas, antes do vestibular ou logo antes da matrícula? A comissão responsável preferia que fosse antes do vestibular. A UEPG repartição, que continuasse como está. O argumento técnico-administrativo sobrepõe-se ao argumento acadêmico, definindo o campo do possível. E assim por diante.
Até quando os meios vão ser mais decisivos que os fins?
Há uma UEPG Universidade, e uma UEPG repartição pública. Na primeira, as pessoas acreditam que estão em uma instituição de ensino superior que oferece ensino, pesquisa e extensão, com a maior qualidade possível, e projetando sempre mais.
Há uma UEPG repartição pública que está mais preocupada em cumprir os regulamentos em detalhes do que em resolver problemas e solucionar gargalos de desenvolvimento. Para ela, o que interessa são os relatórios administrativos, o respeito à tradição, evitar mudanças a todo custo.
A UEPG repartição é voto cativo para quem está no poder. Cargos comissionados, funções gratificadas, local de exercício da função, são moedas de troca importantes. A chapa que não vence nessa esfera, não chega ou permanece no poder. Desagradá-la é muito perigoso para continuar no poder. Resultado: a UEPG repartição tem, no mais das vezes, mais peso decisório que a UEPG Universidade.
OS OBJETIVOS ACADÊMICOS SÃO SUBMISSOS AOS OBJETIVOS BUROCRÁTICOS. Quando não há escassez de recursos, tudo bem. Quando há, primeiro os meios, depois os fins.
EXEMPLOS? Regime seriado anual ou semestral por créditos? O primeiro, porque é mais simples de administrar e documentar. Embora a maioria dos coordenadores de graduação prefira o regime semestral.
Homologação de candidatura de alunos negros ao vestibular por cotas, antes do vestibular ou logo antes da matrícula? A comissão responsável preferia que fosse antes do vestibular. A UEPG repartição, que continuasse como está. O argumento técnico-administrativo sobrepõe-se ao argumento acadêmico, definindo o campo do possível. E assim por diante.
Até quando os meios vão ser mais decisivos que os fins?
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Cotas na UEPG - Novidades em breve
A Comissão de Avaliação da Implementação da Política de Cotas da UEPG está concluindo os trabalhos referentes a 2007. Nesse período eu presidi a dita comissão.
O relatório sai essa semana e assim que possível eu publico e coloco o link aqui. Entre as conclusões mais importantes, está o fato de que os alunos negros são os que mais sofrem com a evasão dos cursos, mas em diversos cursos - História Licenciatura incluído - a média dos cotistas negros é a maior entre todas as três cotas.
Outro dado é que as médias dos cotistas de escola pública são superiores a todas as outras cotas em mais de 90% dos casos! DERRUBAMOS A TESE DE QUE AS COTAS IAM REBAIXAR A QUALIDADE DO ENSINO!!! É EXATAMENTE O CONTRÁRIO, NA UEPG EM 2007, ELAS ELEVARAM A MÉDIA!!!!
Depois coloco mais detalhes
O relatório sai essa semana e assim que possível eu publico e coloco o link aqui. Entre as conclusões mais importantes, está o fato de que os alunos negros são os que mais sofrem com a evasão dos cursos, mas em diversos cursos - História Licenciatura incluído - a média dos cotistas negros é a maior entre todas as três cotas.
Outro dado é que as médias dos cotistas de escola pública são superiores a todas as outras cotas em mais de 90% dos casos! DERRUBAMOS A TESE DE QUE AS COTAS IAM REBAIXAR A QUALIDADE DO ENSINO!!! É EXATAMENTE O CONTRÁRIO, NA UEPG EM 2007, ELAS ELEVARAM A MÉDIA!!!!
Depois coloco mais detalhes
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Protógenes e Daniel Dantas
Pra quem conhece história: para mim, o Daniel Dantas é para o Brasil do século XXI o que o empresário inglês Percival Farquar foi para o Brasil do século XIX. Ainda bem que no século XXI temos imprensa, liberdade de imprensa, RPM e um chargista porreta como o Maurício Ricardo para fazer esta paródia aqui:
Protógenes canta Olhar 43
Bárbaro!
Protógenes canta Olhar 43
Bárbaro!
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