domingo, 25 de abril de 2010

José Serra e José Roberto Arruda

Recordar é viver...



... será que o PSDB ainda vai usar um discurso moralista nessas eleições?

domingo, 18 de abril de 2010

O 31 pelo 15 para chegar ao século XXI

Muitos dizem que em Ponta Grossa vigora uma mentalidade atrasada. Por formação e por dever de ofício, não aceito que existam sociedades ou pensamentos “adiantados” ou “atrasados”, pois isso significaria que há um tempo comum em que todos tem que se encaixar, e isso não se sustenta. Mas confesso que às vezes duvido dessa convicção.
O artigo do sr. Taques Fonseca no Jornal da Manhã de 18/04/2010 (“Temos muito orgulho do 31 de Março”) revela quão importante é o debate proposto pelo movimento “31 pelo 15”. Não é questão menor. A forma com nos relacionamos com nosso passado mostra o que somos e principalmente o que queremos ser, como povo. As coisas e pessoas homenageadas nos logradouros públicos são amostras da cultura política coletiva.
Os argumentos de Fonseca, com todo respeito, estão no século XX, reproduzem o discurso político dominante dos anos 60, e o que mais precisamos é estar no século XXI. Qualquer um que tenha acompanhado o debate historiográfico e sociológico sobre a ditadura sabe que exagerar a “ameaça comunista” foi a desculpa para uma parte da elite assumir o poder via golpe militar e reorganizar o estado de modo autoritário dentro de sua visão econômica e social. As elites - rurais, empresariais, financeiras, internacionais - não suportavam o modelo varguista de estado, que limitava seus ganhos. Com os generais presidentes e seus civis de confiança, o “bolo” cresceu, e todos sabemos quem o comeu. Não foi o gato.
Concordo com Fonseca que devemos educar nossos jovens, para que não se confundam. É muito triste ver que há quem não diferencie criteriosamente a democracia da ditadura. Os atos violentos da oposição armada foram um grão de areia perto do banho de sangue que foi a repressão promovida por bandos civis financiados por empresários e pelo estado. Esse banho oficial de sangue é a principal marca do 31 de Março, e não parou mesmo quando derrotaram a luta armada, entrando pelos anos 70 e matando opositores que eram contra pegar em armas, e gente que apenas era contra o regime, incluindo idosos, adolescentes, grávidas...
Não temos aqui nenhum logradouro que homenageie símbolo ou líder comunista. Não se reivindica isso. O que queremos saber é se vamos continuar homenageando a opressão, a censura, a tortura, o terrorismo de estado que se ligam à data de 31 de Março de 64. Viva o 15 de Março, que permitiu achar alguma coisa e continuar sendo achado!

sábado, 17 de abril de 2010

Chega de financiar a Folha / Veja

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(3:56:07 PM) lfcerri@uol.com.br reservadamente fala para ------------------: Queria saber se vc pode repassar aos seus superiores o motivo do meu interesse em cancelar a assinatura

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(3:58:30 PM) lfcerri@uol.com.br reservadamente fala para ------------------: Bom, só pra constar:
Depois do resultado Datafolha desse sábado (Serra 10 pontos a frente de Dilma) o grupo Abril perdeu toda a credibilidade para mim, e não quero mais ajudar a financiá-lo.

(3:58:55 PM) ------------------ reservadamente fala para lfcerri@uol.com.br: Sua reclamação será registrada, porém é necessário o contato telefônico.

(3:59:04 PM) lfcerri@uol.com.br reservadamente fala para ------------------: Era só isso, agradeço a informação.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Direita e esquerda no Brasil hoje

Repercuto texto do prof. Emir Sader:

Diante de alguns argumentos que ainda subsistem sobre o suposto fim da divisão entre direita e esquerda, aqui vão algumas diferenças. Acrescentem outras, se acharem que a diferença ainda faz sentido.

Direita: A desigualdade sempre existiu e sempre existirá. Ela é produto da maior capacidade e disposição de uns e da menor capacidade e menor disposição de outros. Como se diz nos EUA, “não há pobres, há fracassados”.
Esquerda: A desigualdade é um produto social de economias – como a de mercado – em que as condições de competição são absolutamente desiguais.

Direita: É preferível a injustiça, do que a desordem.
Esquerda: A luta contra as injustiças é a luta mais importante, nem que seja preciso construir uma ordem diferente da atual.

Direita: É melhor ser aliado secundário dos ricos do mundo, do que ser aliado dos pobres.
Esquerda: Temos um destino comum com os países do Sul do mundo, vítimas do colonialismo e do imperialismo, temos que lutar com eles por uma ordem mundial distinta.

Direita: O Brasil não deve ser mais do que sempre foi.
Esquerda: O Brasil pode ser um país com presença no Sul do mundo e um agente de paz em conflitos mundiais em outras regiões do mundo.
Direita: O Estado deve ser mínimo. Os bancos públicos devem ser privatizados, assim como as outras empresas estatais.
Esquerda: O Estado tem responsabilidades essenciais, na indução do crescimento econômico, nas políticas de direitos sociais, em investimentos estratégicos como infra-estrutura, estradas, habitação, saneamento básico, entre outros. Os bancos públicos têm um papel essencial nesses projetos.

Direita: O crescimento econômico é incompatível com controle da inflação. A economia não pode crescer mais do que 3% a ano, para não se correr o risco de inflação.
Direita: Os gastos com pobres não têm retorno, são inúteis socialmente, ineficientes economicamente.
Esquerda: Os gastos com políticos sociais dirigidas aos mais pobres afirmam direitos essenciais de cidadania para todos.

Direita: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são “assistencialismo”, que acostumam as pessoas a depender do Estado, a não ser auto suficientes.
Esquerda: O Bolsa Família e outras políticas desse tipo são essenciais, para construir uma sociedade de integração de todos aos direitos essenciais.

Direita: A reforma tributária deve ser feita para desonerar os setores empresariais e facilitar a produção e a exportação.
Esquerda: A reforma tributária deve obedecer o principio segundo o qual “quem tem mais, paga mais”, para redistribuir renda, com o Estado atuando mediante políticas sociais para diminuir as desigualdades produzidas pelo mercado.

Direita: Quanto menos impostos as pessoas pagarem, melhor. O Estado expropria recursos dos indivíduos e das empresas, que estariam melhor nas mãos destes. O Estado sustenta a burocratas ineficientes com esses recursos.
Esquerda: A tributação serve para afirmar direitos fundamentais das pessoas – como educação e saúde publica, habitação popular, saneamento básico, infra-estrutura, direitos culturais, transporte publico, estradas, etc. A grande maioria dos servidores públicos são professores, pessoal médico e outros, que atendem diretamente às pessoas que necessitam dos serviços públicos.

Direita: A liberdade de imprensa é essencial, ela consiste no direito dos órgãos de imprensa de publicar informações e opiniões, conforme seu livre arbítrio. Qualquer controle viola uma liberdade essencial da democracia.
Esquerda: A imprensa deve servir para formar democraticamente a opinião pública, em que todos tenham direitos iguais de expressar seus pontos de vista. Uma imprensa fundada em empresas privadas, financiadas pela publicidade das grandes empresas privadas, atende aos interesses delas, ainda mais se são empresas baseadas na propriedade de algumas famílias.

Direita: A Lei Pelé trouxe profissionalismo ao futebol e libertou os jogadores do poder dos clubes.
Esquerda: A Lei Pelé mercantilizou definitivamente o futebol, que agora está nas mãos dos grandes empresários privados, enquanto os clubes, que podem formar jogadores, que tem suas diretorias eleitas pelos sócios, estão quebrados financeiramente. A Lei Pelé representa o neoliberalismo no esporte.

Direita: O capitalismo é o sistema mais avançado que a humanidade construiu, todos os outros são retrocessos, estamos destinados a viver no capitalismo.
Esquerda: O capitalismo, como todo tipo de sociedade, é um sistema histórico, que teve começo e pode ter fim, como todos os outros. Está baseado na apropriação do trabalho alheio, promove o enriquecimento de uns às custas dos outros, tende à concentração de riqueza por um lado, à exclusão social por outro, e deve ser substituído por um tipo de sociedade que atenda às necessidades de todos.

Direita: Os blogs são irresponsáveis, a internet deve ser controlada, para garantir o monopólio da empresas de mídia já existentes. As chamadas rádios comunitárias são rádios piratas, que ferem as leis vigentes.
Esquerda: A democracia requer que se incentive os mais diferentes tipos de espaço de expressão da diversidade cultural e de opinião de todos, rompendo com os monopólios privados, que impedem a democratização da sociedade.

VOCÊ VAI VOTAR EM CANDIDATOS DE ESQUERDA OU DE DIREITA? O SEU CANDIDATO É DE ESQUERDA OU SÓ TEM DISCURSO DE ESQUERDA? ELE JÁ ESTEVE NO GOVERNO? SE ESTEVE, ESSE GOVERNO TINHA DECISÕES DE ESQUERDA OU DE DIREITA?

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sociologia e cultura - Renato Ortiz

Comente esse post com suas considerações sobre os textos de Ortiz.

domingo, 28 de março de 2010

Não queremos definir o Brasil como uma nação birracial...

... só queremos que a pessoa



também possa estar na universidade sem ser pega na armadilha que o vestibular se tornou. É isso que o Demétrio Magnoli, o Ali Khamel, a Yvonne Maggie também querem?

segunda-feira, 8 de março de 2010

KIT DO BRASILEIRO - A visão da classe média conservadora

Recebi a seguinte mensagem. No final, comento.

KIT DO BRASILEIRO

*Vai transar?*
O governo dá camisinha.

*Já transou?*
O governo dá a pílula do dia seguinte.

*Teve filho?*
O governo dá o Bolsa Família.

*Tá desempregado?*
O governo dá Bolsa Desemprego.

*Vai prestar vestibular?*
O governo dá o Bolsa Cota.

*Não tem terra?*
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.

*Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!*

"Trabalhe duro, pois milhões de pessoas que vivem do Fome-Zero e do Bolsa-Família, sem trabalhar, dependem de você"


Achei muito pouco solidária essa mensagem. Pago meus impostos e apoio os programas sociais, porque não é a caridade que reduz a pobreza (embora ela seja importante) mas políticas públicas bem pensadas, continuamente avaliadas e corrigidas e que passem de um governo a outro, para ter uma ação constante.

- A distribuição de camisinha tem reduzido a gravidez na adolescência e controlado a disseminação de doenças sexualmente transmissíveis. O custo desses problemas sociais é MUITO maior que o custo da camisinha, ou das críticas pseudo-moralistas que fazem a esse programa. Seria interessante conhecerem os programas de vários sistemas de saúde, de redução de danos, em que se distribui seringas para quem quer se drogar. Assim, consegue-se acompanhar o drogado e ajudar na sua recuperação. Se os governos não dessem a seringa, a pessoa ia continuar se drogando, só que compartilhando seringa e espalhando outras doenças.

- Pílula do dia seguinte? O fato é que essa visão é dominante nos sistemas de saúde pública e o pessoal da saúde do governo José Serra também distribui: http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=85780. Podemos discutir esse ponto, mas não tem nada a ver com fazer crítica leviana ao governo federal.

- Estudos sérios e independentes mostram que o bolsa-família é eficiente em combater a miséria e promover as pessoas, apesar de alguns erros, que são identificados e corrigidos (vide o recente cancelamentos de mais de 700 mil bolsas). Se quiserem, eu escaneio e envio artigos científicos sobre o tema.

- No contexto, a menção ao "bolsa-cota" e sua ilustração pode merecer um processo por discriminação. Os "cotistas" tiveram desempenho acadêmico superior aos não cotistas na UEPG em 2007, primeiro ano do programa. As maiores médias dos cursos de História, Odonto e Administração, por exemplo, foram de cotistas negros.

- Os movimentos de trabalhadores sem terra podem até ter uns excessos, mas é engraçado como a gente acha intolerável a violência de um sem-terra contra pés de laranja, mas não dá tanto "IBOPE" o assassinato e a tortura deles; só ser for uma freira norte-americana, que aliás apoiava a ocupação de terras. Na média, o MST e congêneres tem dado uma contribuição essencial à reforma agrária nesse nosso país de absurda concentração fundiária. E o governo não distribui terras de fazendas produtivas, são só as que o INCRA determina como improdutivas, ou que plantaram drogas, ou que praticaram trabalho escravo. Agora, a aposentadoria do trabalhador rural é da Constituição de 1988. Se querem deixar os velhilhos que trabalharam no campo sem aposentadoria porque não contribuíram para o sistema, é só mudar a constituição.
- Sobre os impostos, estudos demostram que os mais pobres pagam cerca de 50% de sua renda com impostos diretos e indiretos que incidem sobre os produtos que compram. A classe média paga menos que os mais pobres, proporcionalmente, apesar do senso comum. Se alguém quer realmente pagar poucos impostos, não se trata de não estudar e não trabalhar, mas de ser muito rico. Aí realmente pagará poucos impostos, ou nenhum.

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