sábado, 24 de setembro de 2011

Um estado palestino e Israel.

Ser a favor do estado palestino não implica ser contra o estado de Israel. Tenho um amigo judeu que mora em Tel Aviv e quer a paz e um estado laico, e quero o mesmo, por ele, pelo filho dele que fez o serviço militar, e pela humanidade.

A política israelense atual mereceria ser tratada do mesmo modo que a política sul-africana da época do Apartheid: isolamento e pressão internacional pela superação desse estado de coisas, e construção do caminho longo e tortuoso da reconciliação.

Agora, ser a favor do estado palestino significa SIM criticar uma visão do estado de Israel, que é a visão teocrática, mítica, expansionista, militarista, disposta a oprimir outros povos e usurpar territórios. Se lembrarmos de todos os judeus, ciganos, comunistas, homossexuais, deficientes, etc., que morreram no Holocausto por causa de uma visão de estado aparentada desta, percebemos que a postura atual do governo israelense é um ultraje aos judeus que morreram sob a opressão nazista.

Como sempre, quando a religião - ou qualquer ideologia que tome posse exclusiva da verdade - dirige a política, temos sérios problemas pela frente. Geralmente, tragédias.

Antes de nossa nacionalidade ou etnia, somos humanos. Shalom!

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Corrupção e percepção da corrupção

"Nunca antes na história desse país... houve tanta corrupção", já vi escreverem por aí, parafraseando o Lula. Mas... Qual é o índice objetivo da corrupção de um país? Ora, ninguém sabe nem nunca vai saber, afinal a corrupção existe sem ser detectada publicamente. Então, o índice poderia ser quantos casos de corrupção foram descobertos num dado intervalo de tempo. Mas aí o índice seria o de combate à corrupção, ou a taxa de denúncias de corrupção, não da corrupção em si. Como vamos saber qual o tamanho da faixa submersa desse iceberg? Pode ser que a corrupção não descoberta seja proporcionalmente menor hoje do que em tempos em que ela era pouco denunciada, seja porque havia censura - como na época da ditadura civil-militar - seja porque a mídia grande estava alinhada politicamente com o governo de plantão.
Por isso, a Transparência Internacional trabalha com o índice de PERCEPÇÃO da corrupção.
Se eu fosse de um partido de oposição ou de um órgão da mídia grande (o que vem a dar no mesmo), não seria interessante dar a maior visibilidade possível a todas as denúncias de corrupção dentro da esfera de responsabilidade do meu adversário, enquanto poupo aquelas denúncias na esfera dos meus aliados? Assim eu aumento a percepção da corrupção das pessoas contra os meus adversários.

Então...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Pôneis malditos!!!!

Mistura de propaganda televisiva regular com viral, mais musiquinha grudenta. Como técnica de fixar a marca, ótimo. Mas apela a que? Potência (hmmm), virilidade, agressividade, marcada pelo seu oposto, os pôneis de brinquedo infantil feminino.
Gostaria de conhecer uma estatística sobre quantas camionetes são usadas como instrumento de trabalho e quantas são apenas carros de passeio. Para que as pessoas precisam de motores de quase 200 cv para veículos que são, na maior parte do tempo, carros de passeio? Para diferenciação, ou seja, para mostrar que não estão apenas se deslocando com carro próprio, mas se diferenciando da gentalha que o faz com carros populares, ou, pior ainda, da escumalha que não tem o prazer de pagar - ou sonegar - IPVA.
Mas, vovó, porque estes carros tão grandes? Tá precisando compensar alguma coisa muito pequena?
Na visão de quem é tomado pelo desejo estimulado pela propaganda, ir de bicicleta, então, é o máximo do fracasso pessoal. E lá se vão galões e galões de combustível, quilos e quilos de CO2 para a atmosfera, para que quem tem dinheiro se diferencie. E o aquecimento global? Ora, vamos todos morrer mesmo, o que importa é viver o agora...
Que foi? Não queria que eu colocasse o comercial original para ajudar a Nissan a ter mais acessos, não é?
Num outro video, reforçando o apelo à virilidade, o pônei diz que a maldição transforma um macho num sujeito sensível. Não é uma propaganda voltada para as mulheres, concorda? O Mundo Livre S.A. explica (e ironiza) muito bem essa ligação entre carro e sexo no universo masculino hegemônico (e, por que não, no feminino também).

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Peter Capusotto e seus videos de rock

Minha primeira contribuição para a integração cultural Brasil-Argentina: traduzi a tradução de Peter Capusotto para "Wish you were here", do Pink Floyd!! Sou um grande admirador desse humorista argentino. Agradeço as críticas à minha tradução e dicas para melhorá-la.

domingo, 10 de julho de 2011

Ensino de História nos colégios militares - Portal Sul 21

Repercussão do tema em reportagem do portal.

O ensino de história nos colégios militares

Preparei o texto que foi publicado aqui como posicionamento da ANPUH sobre esse problema.
Muitos, inclusive a burocracia do MEC, querem fazer crer que se trata de um problema ideológico e de liberdade de expressão. Queria saber a atitude do MEC quando escolas particulares fundamentalistas começarem a dizer que o sol gira em torno da Terra.
Dizer que o golpe de 64 foi uma revolução para salvar a democracia (acabando com ela) contra o comunismo não é só um discurso político retrasado e reacionário, é passar ao largo de toda a pesquisa histórica desenvolvida no país até hoje sobre o assunto. Corresponderia a um livro didático atual de ciências dizer que as doenças são causadas por vapores e miasmas em vez dos microorganismos, ou que a história da humanidade tem cinco mil e poucos anos, apenas, porque os livros religiosos não permitem o reconhecimento das evidências da paleontologia, e que temos que aceitar isso, porque cada um tem a sua versão dos fatos. Pior, esse argumento de quinta categoria faz com que a gente seja obrigado a aceitar neonazistas dizendo que não houve holocausto, afinal cada um tem a sua verdade, não é assim?

Oportunamente, os defensores de 64 viraram apóstolos do relativismo histórico, ou aquela ideia de que verdade é como escova de dentes, cada um com a sua. Um estranho pós-modernismo a favor da ditadura civil-militar: já que as evidências não ajudam mais o discurso da "Revolução", danem-se as evidências.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Um pálido ponto azul

O brilhante Carl Sagan nos ajuda a colocar nossas vidas e disputas em perspectiva. O que de fato é importante?



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