Outros mundos possíveis. Blog de opinião e divulgação científica, desde meu microcosmo, a UEPG, às questões de interesse geral, de um ponto de vista interessado no ensino de História, Educação em geral, consciência histórica, cultura política e transformação social.
PRODUÇÃO CIENTÍFICA
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Rio do Meio - Comunidade Quilombola em Ivaí-PR
Neste dia 20 de Novembro, dia da consciência negra, retomando a condição de integrante do Instituto Sorriso Negro, estive, junto com os colegas Zé Luiz, Maria Lúcia, Euza e Amélia, na comunidade quilombola Rio do Meio, em Ivaí, na cerimônia de entrega dos títulos de propriedade às famílias do quilombo, pelo governo do Estado. Foi uma cerimônia muito boa, seguida de apresentações culturais: uma dupla com uma canção sobre a comunidade do RIo do Meio, uma apresentação de um trecho da dança de São Gonçalo e duas coreografias de uma escola de Palmital (essas sobre a tradição do boi-bumbá na Amazônia, um pouco fora de contexto, mas a professora que trouxe os alunos me disse que a dança foi preparada para outra ocasião, mas que tinha sido trazida a pedido da Secretaria Municipal de Educação). As fotos podem ser acessadas clicando AQUI.
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domingo, 14 de novembro de 2010
Remuneração adicional a "bons" professores
O Thiago Oliveira me mandou o recorte do Le Monde Diplomatique abaixo, nele a autora retoma um tema que já foi discutido nesse blog, que é o do sistema norteamericano de prêmios ou punições a professores e escolas, a partir do desempenho de seus alunos em testes estaduais e federais padronizados. Ela mostra que o bom desempenho em testes - que depois de um tempo tende a estagnar e mesmo regredir - não significa uma boa educação, pois as crianças tendem a aprender como se sair bem nos testes, e não a matéria em si. Isso é algo que já sabemos de cor e salteado com a experiência do vestibular. Nele, os alunos dos cursinhos passam por uma dose de adestramento para resposta ao tipo de prova é muito mais ampla que a dose de efetiva reflexão, conhecimento e descoberta criativa a partir dos conteúdos. Assim, os alunos mais bem classificados no vestibular geralmente não são os de melhor desempenho durante o curso de graduação.
Escolas privatizadas, desempenho Pífio
Escolas privatizadas, desempenho Pífio
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terça-feira, 9 de novembro de 2010
O 3o. TURNO DAS ELEIÇÔES - 1o. Capítulo: ENEM
A impressão que temos assistindo ao PIG é de uma hecatombe no ENEM. Ou seja, COMEÇOU O TERCEIRO TURNO. Quando ouvimos o ministro, há dados concretos sobre o tamanho do problema, em termos numéricos e estatísticos, e o tamanho não chega a comprometer o exame. Há uma clara intenção do PIG em desmoralizar o exame e inflacionar o problema ocorrido.
Dilma vai ter uma crise em cada dia do seu mandato, se depender da grande imprensa.
A colega Thelma, via lista de discussão do GT de Ensino da ANPUH ofereceu os seguintes links, muito bons:
Mais jovens de classe D que de A na universidade
O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres
Dilma vai ter uma crise em cada dia do seu mandato, se depender da grande imprensa.
A colega Thelma, via lista de discussão do GT de Ensino da ANPUH ofereceu os seguintes links, muito bons:
Mais jovens de classe D que de A na universidade
O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Dilma, para a UEPG seguir mudando
Fui admitido na UEPG no primeiro ano do governo FHC, e aqui estou até hoje, último ano do governo Lula. O crescimento que a Universidade teve nesses últimos anos supera de longe a situação que tivemos entre 1995 e 2002, período do governador Lerner e do presidente FHC.
O crescimento atual da UEPG tem suas bases no talento e na garra de seus profissionais (que tocaram projetos em diante mesmo diante de todo tipo de dificuldade) e em uma conjuntura favorável disposta pelos governos Requião e Lula, porque não foram governos privatistas e com filosofia de estado mínimo, para a qual universidade é despesa, e não investimento. Obviamente, sem a administração séria que tivemos, não teríamos avançado.
Nos anos FHC e Lerner, ensino superior era visto como um peso para a sociedade, um ladrão das verbas do ensino básico. Pouquíssimos pesquisadores conseguiam financiamento para a pesquisa, havia poucas bolsas de estudo, e seu valor era corroído pela falta de reajuste. As iniciativas que havia envolviam quase sempre a empresa privada, e, mais que atingir os fins educacionais a que se destinavam, deviam gerar lucro para particulares.
Serra representa o estado mínimo, que quer restringir o setor público para transferir todo o recurso possível ao mercado. Lula foi capaz de quebrar esse ciclo e, sem quebrar contratos e gerar instabilidade, conseguir recursos para a expansão do setor público, inclusive as universidades públicas estaduais, que se beneficiaram das políticas de expansão da CAPES e do CNPq, além do FINEP e Ministério da Educação, entre outros.
O problema não é a pessoa de Serra, mas a concepção de administração pública e de tratamento do ensino superior que ele carrega desde os anos 90, com toda a equipe que o assessoria na presidência. No conjunto com o governo tucano do Paraná, Serra traria de volta os anos de míngua para as estaduais paranaenses, pois a ideologia do estado mínimo estaria nas duas esferas.
Dilma e Serra estão muito longe de ser iguais, quem afirma isso não estudou um mínimo de análise de conjuntura e é presa de um discurso ao mesmo tempo fácil e falso. Segundo turno é hora de optar, não de se omitir.
Por tudo isso apelo a todos os alunos, aos colegas professores e aos amigos funcionários, pelo voto crítico em Dilma 13, em 31 de Outubro. Pode até ser que ela não seja a candidata dos nossos sonhos, mas Serra é o candidato dos nossos maiores pesadelos.
O crescimento atual da UEPG tem suas bases no talento e na garra de seus profissionais (que tocaram projetos em diante mesmo diante de todo tipo de dificuldade) e em uma conjuntura favorável disposta pelos governos Requião e Lula, porque não foram governos privatistas e com filosofia de estado mínimo, para a qual universidade é despesa, e não investimento. Obviamente, sem a administração séria que tivemos, não teríamos avançado.
Nos anos FHC e Lerner, ensino superior era visto como um peso para a sociedade, um ladrão das verbas do ensino básico. Pouquíssimos pesquisadores conseguiam financiamento para a pesquisa, havia poucas bolsas de estudo, e seu valor era corroído pela falta de reajuste. As iniciativas que havia envolviam quase sempre a empresa privada, e, mais que atingir os fins educacionais a que se destinavam, deviam gerar lucro para particulares.
Serra representa o estado mínimo, que quer restringir o setor público para transferir todo o recurso possível ao mercado. Lula foi capaz de quebrar esse ciclo e, sem quebrar contratos e gerar instabilidade, conseguir recursos para a expansão do setor público, inclusive as universidades públicas estaduais, que se beneficiaram das políticas de expansão da CAPES e do CNPq, além do FINEP e Ministério da Educação, entre outros.
O problema não é a pessoa de Serra, mas a concepção de administração pública e de tratamento do ensino superior que ele carrega desde os anos 90, com toda a equipe que o assessoria na presidência. No conjunto com o governo tucano do Paraná, Serra traria de volta os anos de míngua para as estaduais paranaenses, pois a ideologia do estado mínimo estaria nas duas esferas.
Dilma e Serra estão muito longe de ser iguais, quem afirma isso não estudou um mínimo de análise de conjuntura e é presa de um discurso ao mesmo tempo fácil e falso. Segundo turno é hora de optar, não de se omitir.
Por tudo isso apelo a todos os alunos, aos colegas professores e aos amigos funcionários, pelo voto crítico em Dilma 13, em 31 de Outubro. Pode até ser que ela não seja a candidata dos nossos sonhos, mas Serra é o candidato dos nossos maiores pesadelos.
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terça-feira, 5 de outubro de 2010
SEGUNDO TURNO
Hora de redobrar a militância.
Hora de lembrar que é desonesto manipular a fé religiosa contra os candidatos.
Hora de lembrar que o pensamento de Dilma sobre o aborto é exatamente o mesmo que o de Serra: a discussão do aborto como problema de saúde pública, que é o que cabe ao estado laico.
Hora, principalmente, de reafirmar que os projetos em disputa não são iguais, nem parecidos. Para isso é muito importante ler o texto de Emir Sader: Se tudo fosse igual.
Hora de lembrar que é desonesto manipular a fé religiosa contra os candidatos.
Hora de lembrar que o pensamento de Dilma sobre o aborto é exatamente o mesmo que o de Serra: a discussão do aborto como problema de saúde pública, que é o que cabe ao estado laico.
Hora, principalmente, de reafirmar que os projetos em disputa não são iguais, nem parecidos. Para isso é muito importante ler o texto de Emir Sader: Se tudo fosse igual.
domingo, 26 de setembro de 2010
Discriminação positiva
A ira é péssima conselheira. Percebe-se isso ao ler o texto “A insensatez da discriminação”, publicada n’O Portal de 26/09/2010. O autor, professor Moacyr de Lima e Silva, ataca todo o preconceito e discriminação com a fúria dos justos, e atira os epítetos de “estupidez”, “imbecilidade” e “burrice” a quem discrimina. Sobram petardos para os fidalgos e para quem fez doutorado na Europa. Nesse tiroteio, as cotas, ou políticas afirmativas, também são atingidas.
O que é discriminar? Do latim discriminare, significa, fazer uma distinção, tratar alguém diferente por causa de alguma característica sua. Toda discriminação seria um abuso, então? Não é bem assim. Vejamos. As filas se formam por um princípio igualitário: a ordem de chegada. Ao darmos a frente a uma mulher grávida ou a um cadeirante, estamos tratando-os diferente. Podemos encontrar centenas de situações em que tratar todos igualmente significa uma injustiça porque, na prática, não somos todos iguais. A igualdade formal está posta (“todos são iguais perante a lei”), mas a igualdade material (que seria “todos são dotados das mesmas condições para realizarem-se como pessoas e cidadãos brasileiros”) não está garantida.
Aristóteles afirma o princípio de que não basta igualdade: é necessário tratar desigualmente os desiguais para obter justiça. Se ficar na fila é um incômodo, ele é maior para quem está em situação de maior fragilidade. Como sociedade, definimos que pessoas que são mais jovens, ou não enfrentam condição que reduza sua condição física podem esperar mais. É desse princípio que nascem as ações afirmativas, conhecidas popularmente por cotas. Corrige-se o fator que causa a desigualdade, compensando os desfavorecidos com um tratamento diferente ou, em outras palavras, discriminatório. A discriminação também pode ser positiva, a favor de quem precisa.
Outro ponto que merece discussão é sobre as causas da escassa presença de negros nas universidades, profissões e posições de prestígio, por exemplo. De fato, temos poucos negros médicos, juízes, deputados, e assim por diante. Se a escravidão é uma mancha que ficou para trás, e se agora somos todos iguais, e a cor da pele não tem a ver com a capacidade de ninguém, por que essa falta de negros nas elites econômicas, sociais, intelectuais, científicas?
Somos todos iguais, é verdade, e nossa inteligência ou evolução espiritual nada tem a ver com a cor da nossa pele. Mas isso, como a igualdade formal, não basta. É só inverter a afirmação “a cor da pele não nos faz diferentes” para “não faz diferença a cor da pele”. No Brasil, a primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa. A escravidão acabou (?) mas não seus efeitos, ou seja, uma sociedade montada para manter o negro - e todos os que possam ameaçar a concentração da riqueza - em situação de inferioridade, através do racismo disfarçado e não admitido que nos marca. Não sou eu quem diz, é o sociólogo Florestan Fernandes.
Se, aos poucos, como sociedade, estamos vencendo as barreiras que não permitem aos negros ocupar todos os espaços que merecem, como brasileiros, isso se deve em boa parte a políticas afirmativas. E os negros que entraram nas universidades por cotas mostram que são tão bons quanto os brancos, ou seja, somos, sim, iguais. Só que o vestibular era uma barreira intransponível em muitos cursos para quem não vinha de escola particular, e era isento de um trajetória de vida de discriminação velada ou aberta, que minam a autoestima e o desempenho da criança e do jovem negros. Todo somos iguais, mas se não houvesse cota, os alunos negros não teriam tido a chance de mostrar isso.
Ponta Grossa - Síndrome de viralatas?
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